Uma luz (azul) no fim do túnel

  • Por Secovi Rio -


Projeto de monitoramento urbano quer trazer mais segurança para os condomínios cariocas

Detroit, Estados Unidos, janeiro de 2016. O Departamento de Polícia da cidade, em parceria com oito postos de gasolina, frequentemente assaltados, teve uma ideia inteligente: instalar câmeras de vigilância que transmitiam as imagens em tempo real para a polícia. Cada estabelecimento recebeu uma sinalização verde – indicando se tratar de uma área segura –, que passou a afugentar os bandidos. A iniciativa ficou conhecia como Green Light (Luz Verde).

Rio de Janeiro, maio de 2018. A empresa de tecnologia Venses, em parceria com o Secovi Rio, inicia o projeto Luz Azul com a instalação de câmeras ultramodernas nas fachadas de três grandes edifícios comerciais do Centro do Rio. À semelhança do que foi feito em Detroit, os equipamentos são sinalizados com uma luz azul e uma placa onde se lê “Condomínio Parceiro Luz Azul – Área Monitorada”.

Um dos destaques na paisagem urbana do Centro, o Edifício Linneo de Paula Machado (ELPM), com 41 andares – onde fica a sede do Secovi Rio –, na Avenida Almirante Barroso, foi um dos que aderiram ao Luz Azul, que tem como foco, em uma primeira fase, apenas os prédios residenciais e comerciais dessa região. A edificação já possuía 240 câmeras em suas áreas internas e externas, mas alugou três novas unidades para servir ao projeto.

A tônica é que as imagens em alta definição ficam armazenadas na nuvem e são compartilhadas, em tempo real, com as autoridades de segurança pública. O acompanhamento dessas imagens poderá auxiliar em possíveis investigações, registros de ocorrências e no aumento da sensação de segurança.

Administrador do ELPM, Fernando Kalache revela que o custo com o aluguel não chega a R$ 1 mil por mês. “Pelo tamanho do condomínio (32 empresas ocupantes), é irrisório. Acreditamos que a adesão ao projeto traga maior sensação de segurança e a certeza para os usuários de que crimes realizados no nosso entorno serão filmados, investigados e punidos”, espera Kalache.

Ele acrescenta que o condomínio já conta com uma equipe de seguranças que trabalham 24 horas por dia, sem falar no aparato que inclui porta eclusa blindada, rádios comunicadores, botão de pânico, sala de controle 24 horas por dia e 240 câmeras internas e externas. O custo mensal com todos esses itens gira em torno de R$ 60 mil.

“O ELPM já participa ativamente do Conselho Comunitário de Segurança Pública do Centro Histórico e da Lapa há três anos. Desde então defendemos que não basta ao condomínio e ao particular de modo geral investir apenas em segurança interna e não trabalhar com o poder público em seu entorno. O Luz Azul é de fundamental importância para as polícias e condomínios do Centro”, completa o administrador.

Quanto custa?

O diretor comercial da Venses Technology, Antonio Carlos de Souza, esclarece que o condomínio que aderir precisará investir mensalmente R$ 340 por câmera, caso opte por alugar o equipamento. O preço engloba manutenção, a gravação das imagens e o armazenamento por 30 dias na nuvem. Se o usuário já tiver as câmeras, o custo do serviço sai a R$ 220 mensais. Os condomínios em dia com as contribuições ao Secovi Rio terão 15% de desconto. Num edifício com 100 salas comerciais, o valor seria de apenas R$ 2,20 ou R$ 3,40 por condômino ao mês.

“O Sistema Luz Azul funciona com câmeras que não precisam de uma largura de banda alta para upload. É possível instalar uma câmera (720 pixels) dentro de 300 Kbps de upload, ou seja, não há impacto sobre seu pacote de dados”, explica Souza, ratificando que as gravações e o software ficam hospedados e operam dentro da nuvem da Microsoft (Azure).

“Projetos similares têm resultados comprovados em outros países e houve rápida redução dos crimes nos estabelecimentos participantes. Aqui no Brasil, o primeiro sistema foi instalado em Campinas, em parceria com a Guarda Municipal e o Recap (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Campinas e Região). Projetos nos Estados de São Paulo, Amazonas, Ceará, Bahia, Mato Grosso e Rio Grande do Sul também têm tido excelentes resultados”, completa o diretor da Venses.

Índices de violência voltam a assustar

Quando a Operação Centro Presente completou um ano de implantação, em julho de 2017, um balanço do governo do estado apontou uma redução de 92% no número de casos de roubo a transeuntes no primeiro trimestre. Já no primeiro quadrimestre de 2018, os dados do Instituto de Segurança Pública revelam uma piora em alguns tipos de ocorrências: roubo a comércio aumentou 56%; roubo de celular, 37%; e o total de furtos, 8%, na Área Integrada de Segurança Pública nº 5, que abrange Centro, Gamboa, Lapa, Paquetá, Santa Teresa, Santo Cristo e Saúde.

De janeiro a abril, foram contabilizados 83 roubos a comércio, contra 53 no mesmo período de 2017. Roubo a celular saltou de 288 para 395. O síndico do Condomínio do Edifício Avenida Central (Ceac), na Avenida Rio Branco, Marcelo Pinheiro, faz parte da estatística: “Já tivemos diversas ocorrências, inclusive arrombamento.” O edifício de 34 andares é um dos três – junto com o ELPM e o Rodolpho de Paoli – que contrataram o Luz Azul, comprando seis câmeras com custo de R$ 9.139,40. A manutenção, a gravação e o armazenamento das imagens custarão R$ 1.122,00 ao mês.

“Por ser bastante movimentada durante todo o horário comercial, a área próxima ao Ceac sempre foi bastante vulnerável, com incontáveis casos de roubo a transeuntes. O Luz Azul pode ajudar a mudar esse quadro, e o ideal é que todos os condomínios do Centro possam aderir ao projeto”, reforça Pinheiro. O projeto se soma aos demais aparatos de vigilância do condomínio, que gasta mensalmente R$ 166 mil com outros equipamentos e segurança privada.

Para o delegado Fábio Barucke, que ocupa o cargo de diretor de Polícia da Capital há 17 anos, o aumento da violência urbana está relacionado com a crise financeira, e a falta de investimento pelo Estado na Polícia Civil acarretou muito prejuízo na segurança pública. “A participação da iniciativa privada na segurança é fundamental para suprir muitas dificuldades geradas pela falta de recursos. A iniciativa do Secovi Rio através do Luz Azul é muito louvável e substitui essa lacuna deixada pelo Estado, na necessidade de instrumentalizar formas de combate ao crime”, afirma.

Para o delegado, a colocação de câmeras de segurança ajudará a desestimular a prática de furtos e roubos. Sobre a participação da polícia no projeto, ele explica: “A instalação de câmeras de segurança nos imóveis da região promoverá à Polícia Civil acesso às imagens captadas nas ruas. Além de aumentar a sensação de segurança da população, facilita a coleta de provas, com imagens dos autores dos crimes, que poderão ser usadas no inquérito policial, fortalecendo as provas indiciárias, contribuindo para identificação e condenação do criminoso.”

Barucke complementa: “O resultado é a melhora dos trabalhos de investigação, uma prestação de serviço mais eficiente e certamente com um maior número de criminosos levados à Justiça. A expectativa é de redução da criminalidade.”

Com relação ao aumento da ocorrência de alguns tipos de delitos na região central da cidade, o diretor da Polícia Civil reforça que a instituição está trabalhando para baixar os índices: “Estamos atuando para aumentar nossa produtividade no sentido de indiciar o maior número de criminosos, fato que vem acontecendo em maior escala, com grande número de prisões levadas ao Judiciário. Com a identificação dos autores desses delitos e suas prisões, conseguiremos abaixar os índices. O Luz Azul pode contribuir muito com esse processo de identificação, sendo um mecanismo facilitador para coleta de provas indiciárias.”

Unidos, somos mais fortes

Promover ações para melhoria da segurança no Rio de Janeiro passou a ser responsabilidade de todos. Empresários, comerciantes, associações e entidades de classe têm se movimentado e participado de projetos de parceria público-privada que contribuam para uma cidade mais segura. E o Secovi Rio se tornou mais um nessa empreitada com o Luz Azul.

“É uma contribuição do Secovi Rio para a sociedade, junto com a Venses. Quando você melhora a sensação de segurança na cidade, colabora também para o desenvolvimento do comércio, valorização dos imóveis e incremento do turismo. Há décadas preparamos a segurança interna dos condomínios, por meio de palestras e cartilhas, e agora é hora de pensar na segurança externa”, explica Pedro Wähmann, presidente do Secovi Rio.

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