Expansão com serviços

  • Por Secovi Rio -


Em dez anos, desde a sua criação em 2009, o “Minha casa, minha vida” (MCMV) tornou-se o principal responsável pelos empreendimentos imobiliários no país. Estimativa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) mostra que, atualmente, dois terços dos lançamentos no mercado imobiliário são do programa.

Após uma série de quedas nos repasses para o MCMV neste ano, o governo federal garantiu, na semana passada, voltar a liberar recursos, como prioridade, no programa. Enquanto nos três primeiros meses do ano, o repasse foi de R$ 933 milhões, a destinação de recursos deve crescer para R$ 1,6 bilhão de abril a junho. Por ora, o posicionamento alivia construtoras que querem continuar a investir em imóveis voltados para o enquadramento no programa. O foco do trabalho, desde 2015 intensificado nas faixas menos dependentes de verbas federais, deve estar, no futuro, ainda mais voltado para as modalidades 2 e 3.

– Em 2018, a CAC Engenharia já fez dois lançamentos para a faixa 2. Temos em construção duas torres de 15 pavimentos em Nova Iguaçu, com elevador, conexão via bluetooth para caixas de som, sistema de identificação biométrica. E vamos olhar mais para a faixa 3 daqui para a frente – anuncia Bruno Teodoro, gerente comercial da CAC, destacando que a operação será impactada pela ampliação da renda máxima permitida na faixa 3, de R$ 6.500 para R$ 9 mil.

– Abre mais o leque. Pois esse cliente tem uma boa renda e compra um imóvel de R$ 300 mil. O incentivo que recebe do programa é a taxa de juros, menor do que a do mercado em geral.

Com rendas melhores, as famílias enquadradas nessas faixas são mais criteriosas para as aquisições. Por isso, o mercado deve investir em oferecer tecnologias e áreas comuns completas, com compartilhamento de serviços.

– Nosso consumidor exige cada vez mais em ter wi-fi nas áreas comuns, por exemplo. Nossos lançamentos também já têm bicicletas compartilhadas. E agora faremos um projeto-piloto colocando carros elétricos, também compartilhados, nos condomínios, em parceria com a Renault. É o futuro. Neste caso, não foi uma demanda, mas a MRV atua como indutora de mudanças no setor, em busca de soluções sustentáveis, visto que o carro é carregado por energia solar – diz o diretor executivo de Finanças e Relações com Investidores da MRV Engenharia, Ricardo Paixão.

Crescimento nas zonas Norte e Oeste

A localização dos imóveis também é um fator relevante para os clientes do “Minha casa, minha vida” (MCMV), e tem merecido atenção das construtoras. A MRV Engenharia tinha o mercado muito voltado para cidades do interior fluminense até 2014, mas, hoje, 60% dos terrenos com projetos em andamento estão na Região Metropolitana do Rio.

O gerente de incorporação da Living e da Vivaz, Thiago Athayde, reforça a tendência:

– O programa se destaca há anos em cidades periféricas, como Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, que recebe vários lançamentos, ou no município de São Gonçalo. Mas temos acreditado muito na própria cidade do Rio para receber o crescimento do programa MCMV, principalmente nas zonas Norte e Oeste. Essas regiões têm muitas oportunidades de terrenos disponíveis ainda e atendem a um desejo dos clientes de estar perto do Centro. São áreas estratégicas – explica Athayde: – Existe um déficit habitacional grande, então acreditamos no futuro do programa, na importância dele para as pessoas de baixa renda. Por isso, temos comprado terrenos.

A Cury Construtora também crê nas zonas Norte e Oeste como bons polos de investimento. E tem como exemplo o desempenho nas vendas do condomínio Dez Irajá, lançado em abril do ano passado. Três blocos, com 111 apartamentos cada, venderam tão rapidamente que a construção do quarto prédio foi antecipada.

Município do Rio já entregou mais de 90 mil unidades

Na contramão do que acontece nas faixas 2 e 3 do “Minha casa, minha vida” (MCMV), as faixas 1 e 1,5 do programa têm nos altos subsídios oferecidos o principal atrativo para os compradores. Na primeira faixa, o desconto chega a 90% do valor do imóvel, para quem tem renda familiar bruta de até R$ 1.800 por mês (veja demais condições na página 2). No município do Rio, mais de 90 mil moradias da faixa 1 já foram entregues, segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura Habitação.

“A procura por moradia para as faixas de renda a que o programa se destina tem sido uma constante, possibilitando a muitas famílias cariocas o acesso à casa própria”, informou a secretaria, por meio de nota, destacando que, além da redução do déficit habitacional, o crescimento do MCMV resulta em mais oferta de trabalho e serviços, contribuindo para dinamizar a cidade.

O número de construções para a faixa 1, no entanto, está em baixa, e não há previsão de novos lançamentos no Rio. A secretaria afirma que está “no aguardo da liberação de recursos federais do programa para a continuidade dos projetos em andamento”.

A pasta é responsável pelo cadastro dos interessados nos imóveis da faixa 1, que são distribuídos por sorteio.

“A Subsecretaria de Habitação atua em momentos diferentes no cadastramento de famílias para a faixa 1. No caso de maior vulnerabilidade, como situações de risco, o cadastro é realizado para atender à demanda por reassentamento. Para as demais situações, o cadastramento é feito quando as famílias buscam a subsecretaria para se inscrever no programa”, explica o órgão.

Retomada deve se consolidar este ano

Em movimento de recuperação no país desde o fim de 2017, o mercado imobiliário demorou a reagir no Estado do Rio.

– O Rio só respondeu um ano depois, no final de 2018. A nossa expectativa é que a retomada se consolide neste ano – afirma Claudio Hermolin, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ).

Influenciada pelo saldo de 2018, a expectativa para as vendas do “Minha casa, minha vida” são ainda melhores. A construtora Direcional, por exemplo, teve motivos para comemorar.

– Em 2018, os seis lançamentos da construtora no Rio somaram 2.400 unidades, atingindo cerca de R$ 360 milhões em valor geral de vendas (VGV). Este ano, a estimativa é manter o volume de investimento. Temos um banco de terrenos com potencial de R$ 2 bilhões em VGV – diz Paulo Assis, diretor comercial e de incorporação da empresa.

‘Os imóveis não devem nada aos outros’/Depoimento Adriano Affonso, gerente da Cury no Rio de Janeiro.

O “Minha casa, minha vida” é só um enquadramento de taxas de juros e preços. Os imóveis não devem nada aos outros empreendimentos. A verdade é que existe uma tendência geral de apartamentos cada vez menores, com áreas comuns completas, com academia, piscina, grandes lavanderias e espaço de coworking, além de serviços de bicicleta e carro (ainda em teste) compartilhados, o que barateia os custos para as pessoas. Nós estamos seguindo essa tendência. E as pessoas estão vendo o “Minha casa, minha vida” como uma grande oportunidade de ter um imóvel com comodidades e em uma área boa. O cliente do programa é como outro qualquer, não quer menos.

 

FONTE: Jornal Extra