Câmaras setoriais da CNC se reúnem para debater conjuntura do setor terciário

  • Por Secovi Rio -


Os coordenadores das câmaras setoriais da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) se reuniram na terça-feira (26/05), por videoconferência, para debater os principais problemas enfrentados durante a pandemia do novo coronavírus e pensar medidas que possam reduzir o impacto negativo no setor terciário.

O encontro virtual foi conduzido pelo vice-presidente da CNC e coordenador das Câmaras Brasileiras do Comércio, Luiz Carlos Bohn, que deu a palavra ao coordenador da Câmara Brasileira de Comércio de Serviços Imobiliários (CBCSI), Pedro Wähmann.

“A primeira preocupação que tivemos foi com negociações entre locador e locatário e a viabilização de acordos razoáveis para as duas partes. Quase 20% dos domicílios no Brasil representam imóveis alugados, e 76% dos locadores pessoa física possuem um único imóvel alugado, então dependem dessa renda também”, afirmou Wähmann. E destacou, também que cerca de 80% dos casos foram resolvidos em acordo até o momento, sem a necessidade de interferência judiciária, o que representa um bom índice. “As carteiras de empresas vinculadas aos Secovi, sindicatos de habitação, foram as que mais disponibilizaram mecanismos de negociação entre as partes, apresentando menor inadimplência, o que grifa a importância da orientação dos Secovi de buscarem a negociação”, concluiu.

Sobre a área de compra e venda, Wähmann disse que ainda se observa movimentação razoável no mercado de imóveis usados e queda na negociação de imóveis novos, além do crescimento da procura por casas em bairros mais afastados dos grandes centros, com espaço mais amplo.

O coordenador da Câmara Brasileira de Tecnologia da Informação (CBTI), Francisco Maia, ressaltou a importância da câmara setorial em um momento que o processo de digitalização dos serviços está acelerado por conta do distanciamento social. “Em cerca de 70 dias de isolamento houve mais de 35% de aumento na expansão do comércio virtual no Brasil, um mercado que já vinha em crescimento nos últimos anos. A expectativa é que os aprendizados neste momento de crise sirvam para a aprimorar as formas de fazer comércio no futuro”, afirmou.

Maia elogiou também a iniciativa de grandes empresas do varejo, que colocaram suas plataformas digitais à disposição de pequenos e micro empresários sem suporte digital e logística de entrega de mercadoria, para que disponibilizassem mercadorias nessas plataformas.

Sobre o setor de combustíveis, o coordenador da Câmara Brasileira do Comércio de Combustíveis (CBCC), Maurício Rejaile, afirmou que apesar de ser considerada atividade essencial e estar em funcionamento, a demanda nos postos de combustíveis caiu drasticamente pela falta de circulação de

veículos. Outro problema, gerado pelo fechamento de estabelecimentos, é a falta de opções de alimentação e hospedagem para caminhoneiros que transportam combustível em longas distâncias.

Rejaile ressaltou também que a FREPER – Frente Parlamentar para o Desenvolvimento Sustentável do Petróleo e Energias Renováveis e a CBCC têm trabalhado para impedir ou adiar proposições em tramitação no Congresso, como a criação de impostos ou privatização de refinarias, que encareçam o preço final do combustível. “O momento é de estimular o consumidor, e não de onerá-lo. Estamos trabalhando para impedir que determinados projetos sejam aprovados sem regras claras para que não haja acréscimo imediato no preço dos combustíveis. As privatizações, caso sejam aprovadas, devem ser realizadas com cautela e regulamentação para não prejudicar os pequenos empreendedores do ramo e o consumidor final”, concluiu.

Outra atividade classificada como essencial e que está com estabelecimentos abertos é reparo e mecânica automotiva. O coordenador da Câmara Brasileira do Comércio de Peças e Acessórios para Veículos (CBCPave), Ranieri Leitão, observou que com o funcionamento de oficinas e o varejo de peças veiculares atuando por delivery, cerca de 65% do mercado automotivo está em funcionamento. “Os segmentos que mais têm sofrido durante a crise são de montadoras, fábricas que produzem peças, além das concessionárias de veículos, cuja estimativa é de que 20% fechem as portas em definitivo”, avaliou.

Também participaram da reunião André Luiz Roncatto, coordenador da Câmara Brasileira do Comércio de Produtos e Serviços Ópticos (CBÓptica); Lázaro Luiz Gonzaga, coordenador da Câmara Brasileira de Produtos Farmacêuticos (CBFARMA); Edgar Segato, coordenador da Câmara Brasileira de Serviços (CBS); Marco Aurélio Sprovieri, coordenador da Câmara Brasileira de Materiais de Construção (CBMC) e Rubens Medrano, coordenador da Câmara Brasileira do Comércio Exterior (CBCEX).

Fonte: CNC