Apesar de toda crise… Rio tem o m2 mais caro

  • Por Secovi Rio -


São Paulo, Curitiba e Porto Alegre vêm atrás em busca de imóveis para compra. Preços altos, porém, inibem vendas e o mercado carioca ainda é considerado estagnado

Apesar de ter a média do metro quadrado mais cara do país, a R$ 9364. o Rio ainda é a cidade com maior procura de imóveis para compra, segundo pesquisa realizada pelo Grupo ZAP. Em seguida, estão São Paulo. Curitiba, Porto Alegre. Belo Horizonte. Goiânia. Salvador, Santos. Recife e Niterói. Nestas cidades, a metragem média varia de RS 8.978 na capital paulista a R$ 4.261 em Goiás (conforme tabela ao lado).

O levantamento mostra ainda que, no Rio. os imóveis mais cobiçados estão no bairros de Copacabana. Tijuca. Barra, Botafogo, Recreio. Jacarepaguá, Leblon, Flamengo. Ipanema e Laranjeiras, nesta ordem. Segundo o economista sênior do Grupo Zap. Rodger Antunes Campos. os motivos que põem a cidade no topo do ranking são vários.

— O Rio tem muitos atrativos, que não são limitados pelo metro quadrado caro. Há pessoas indo trabalhar, pois são muitas as empresas privadas instaladas. Também existe a questão de ser próxima a São Paulo e uma demanda constante em decorrência da educação, não somente de estudantes do estado, como de outros — contextualiza Campos.

MUITA PROCURA.POUCA VENDA

Mas e a procura é proporcional à venda? A resposta é não (ou “ainda não”, para os otimistas). Embora alguns bairros icônicos ainda fascinem moradores que querem morar melhore estrangeiros que almejam uma casa para passar o verão, o mercado continua estagna do. Mas ano passado foi pior. Neste. houve melhora no início. Contudo, após os primeiros meses, a expectativa de retomada na economia recuou novamente.

Segundo relatórios de vendas do Sindicato da Habitação do Rio (Secovi Rio), o primeiro trimestre de 2019 teve um aumento de 40% nas vendas em relação ao mesmo período de 2018. Já no segundo trimestre houve queda e as vendas foram um pouco inferiores em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Os especialistas do setor, porém, afirmam que a luz do fim do túnel começa a piscar. Para o presidente da construtora Concal, José Conde Caldas, o Rio é uma cidade de projeção e alcance nacionais, e é natural o interesse, mesmo com as mazelas que assombram o cotidiano dos cariocas. Ele reforça que o cenário está melhore a tendência é continuar assim.

—Até ano passado, as pessoas queriam comprar mas tinham medo de se endividar e perder seus empregos, então seguravam. Mas isso está mudando. O mercado está voltando porque o desejo de compra voltou, os juros para financiamento estão mais baratos e há abundância de oferta — afirma Caldas, que acompanha as nuances do mercado há mais de 50 anos.

À ESPERA DE 2020

0 empresário explica que o progresso do setor não será tão pujante quanto antes do período pré-olímpico, quando o setor viveu seu auge de procura, oferta e preços, e começará com os lançamentos ainda neste segundo semestre, com intensificação a partir de 2020.

— Em março e abril teremos muitos lançamentos — afirma Caldas.

— Sentimos uma leve melhora na procura pelos imóveis e acreditara os que 2020 será um ano muito promissor confirma Tiago Sampaio, gerente comercial da Avanço Realizações Imobiliárias, cujo maior interesse dos clientes é por apartamentos de dois e três quartos.

A expectativa de compra, segundo Sampaio, é para os lançamentos previstos ainda nesse último trimestre do ano e para diminuir os estoques. um calo de longa da ta em quase todas as construtoras do Rio.

— Temo um lançamento em Barra Bonita, bairro planejado do Recreio, e continuaremos a investir nos estoques da Zona Norte. Apostamos ainda no alto padrão, com casas de luxo em condomínios de grande porte na Barra e no Recreio, que têm dado um bom retorno —diz Sampaio.

Na onda do mercado em geral, a construtora Fernandes Araújo Participações também registrou, este ano. volume de vendas foi maior do que em 2018. Assim como a Concal. uma das apostas da empresa é a Tijuca. um dos bairros onde há grande procura, especial mente com dois e três quartos.

—Outro bairro é a Taquara. e identificamos a volta de demanda em Jacarepaguá. Acredito que as novas linhas de financiamento e as opções de bancos privados são um forte estimulo à compra. Com a concorrência, ganham os clientes, pois surgem mais opções de escolha na modalidade que se encaixar no seu perfil financeiro—afirma a gerente de Marketing da Fernandes Araújo. Flavia Katz.

ZONA NORTE À FRENTE

Hoje, no Rio, segundo o Secovi Rio, há 78.728 apartamentos. 16.323 casas. 11.324 coberturas e 1.484 quitinetes disponíveis para venda. A maioria está na Zona Oeste, seguida pelas zonas Sul. Norte e Centro. N os últimos três meses, a região onde mais se vendeu foi a Zona Norte, seguida por Barra e adjacências.

Sinais de preocupação no topo dos condomínios

Superior Tribunal de Justiça entende que a locação de antenas tem fundo comercial e, por isso, não pode ser interrompida. Decisão serve de alerta para os prédios, que devem dar atenção especial aos contratos

 

FONTE: O Globo, Morar Bem