O Brasil ultrapassou a marca de 79 milhões de domicílios em 2025, mas o crescimento das moradias na última década veio acompanhado de uma mudança significativa no perfil de ocupação: menos imóveis próprios quitados e mais unidades alugadas.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), do IBGE, mostram que 23,8% dos domicílios no país são alugados — o equivalente a 18,9 milhões de moradias. Em 2016, esse percentual era de 18,4% (12,3 milhões), o que representa um crescimento de 54,1% no número de imóveis alugados no período.
Na direção contrária, a participação das moradias próprias quitadas caiu de 66,8% para 60,2%, mantendo uma tendência de redução ao longo dos últimos anos.
Juros altos influenciam mudança de comportamento
O cenário econômico ajuda a explicar essa transformação. Com a taxa básica de juros (Selic) em patamares elevados em 2025, o crédito imobiliário ficou mais caro, dificultando o acesso à casa própria.
Com isso, muitas famílias passaram a adiar a compra do imóvel ou encontraram mais dificuldade para arcar com financiamentos, o que impulsionou a busca por imóveis para locação.
Rio acompanha tendência, mas fica fora do topo
No Sudeste, o percentual de imóveis alugados acompanha a média nacional (23,8%). No estado do Rio de Janeiro, o índice é de 23,3%, enquanto na capital chega a 28,2%, acima da média do país.
Apesar disso, o estado aparece na 14ª posição no ranking nacional de imóveis alugados, atrás principalmente de unidades da região Centro-Oeste, como Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso, que lideram o levantamento. São Paulo ocupa a quarta colocação no ranking.

Mudanças no perfil das famílias
Outro fator relevante é a transformação no perfil dos domicílios brasileiros. O número de pessoas que vivem sozinhas cresceu de forma expressiva, passando de 12,2% em 2012 para 19,7% em 2025.
Atualmente, são 15,6 milhões de brasileiros morando sozinhos, o que impacta diretamente a demanda por imóveis menores e, muitas vezes, alugados.
Além disso, o país também registra mudanças no tipo de moradia. As casas ainda predominam, com 82,7% dos domicílios, mas vêm perdendo espaço para os apartamentos, que já representam 17,1%, refletindo o processo de verticalização das cidades.
Mercado de locação ganha protagonismo
Para o Secovi Rio, os dados confirmam uma tendência consistente no setor imobiliário.
“O avanço do aluguel no Brasil está diretamente relacionado às transformações sociais e econômicas do país. O aumento de pessoas morando sozinhas, a maior mobilidade e o custo do crédito impactam a decisão de compra. Nesse contexto, o mercado de locação ganha protagonismo e exige cada vez mais profissionalização e segurança jurídica”, destaca a entidade, que conta com um setor específico sobre análises e indicadores do mercado imobiliário: o Cepai (Centro de Pesquisa e Análise da Informação do Secovi Rio).
Para entrar em contato, basta escrever para cepai@secovirio.com.br
Tendência de crescimento
A combinação de fatores demográficos, econômicos e urbanos indica que o mercado de locação deve seguir em expansão nos próximos anos.
Mais do que uma alternativa, o aluguel vem se consolidando como uma escolha cada vez mais comum para diferentes perfis de moradores, acompanhando as novas dinâmicas de vida nas cidades brasileiras.



