Os síndicos estão cada vez mais conscientes da importância de uma previsão orçamentária bem elaborada, segundo Leonardo Schneider, vice-presidente para Assuntos Condominiais do Secovi Rio. “A gente percebe isso em todos os canais que o Secovi Rio oferece aos síndicos: Fala, Síndico, encontros, palestras etc.”, afirmou o dirigente. “Os custos condominiais não param de crescer, e ninguém gosta de pagar mais condomínio, pois isso pesa no orçamento de cada família”, complementa.
Apesar dessa evolução, todavia, ainda é significativo o percentual de gestores prediais que a esta altura do ano – novembro – se surpreendem com gastos tão elevados quanto previsíveis, como é o caso do 13º salário e das férias dos empregados do edifício. Quando isso acontece, a única saída é a indesejada cota extra, rateando entre os condôminos o custo da imprevisão do administrador predial.
Dicas passo a passo
De acordo com Schneider, o primeiro passo para o síndico não ser surpreendido no final do ano é solicitar à administradora a elaboração de uma previsão orçamentária anual. A solicitação pode ser feita tanto no início do exercício (janeiro) quanto no começo do mandato do síndico eleito (no mês correspondente). “Isto é prevenir-se contra as cotas extras”, disse.
O segundo passo, todavia, é indissociável do primeiro: enviar para a administradora todas as informações que podem impactar nas despesas do mandato ou no exercício que vai ter início. Através das pastas contábeis mensais a administradora conta com todo o histórico de despesas do condomínio para produzir o planejamento orçamentário.
“Agora, existem coisas que estão somente na cabeça do síndico”, alerta. É o caso, por exemplo, daquele pequeno vazamento da garagem que o síndico pensa em consertar para não se transformar numa grande obra. Se ele não compartilhar com a administradora, aquilo não será considerado no orçamento e vai estourar as contas condominiais.
O terceiro passo, tão importante como os dois primeiros, é seguir à risca o planejamento que foi elaborado. “O lugar da previsão orçamentária é na mesa de trabalho do síndico”, sentenciou João Augusto Pessôa, vice-presidente de Marketing do Secovi Rio, para enfatizar a necessidade do gerenciamento permanente da previsão elaborada pela administradora.
Nesse sentido, se os gastos com determinada rubrica estão maiores do que o planejado, é preciso alterar a previsão. Se estão menores do que o previsto, vai sobrar algum recurso que poderá ser remanejado.
“O que não pode em hipótese alguma é o condomínio ficar no vermelho”, adverte Schneider. Nesse caso, há incidência de juros, seja da administradora ou do banco. “É melhor ratear o total sob a forma de cotas extras do que deixar criar uma bola de neve sob a forma de juros”, concluiu o vice-presidente para Assuntos Condominiais.